segunda-feira, 20 de julho de 2009

O que se pode entender sobre leis de kashrut?


Do hebraico כַּשְׁרוּת, cashrut ou kashrut é o nome dado ao conjunto de leis dietéticas dentro do judaísmo. Segundo as leis judaicas, o alimento que pode ser ingerido é chamado de כָּשֵׁר , casher, em inglês escreve-se normalmente kosher, portanto, esta última denominação é mais comum.


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Kosher significa apto ou apropriado para se comer. E o alimento inapropriado é chamado de טְרֵפָה, terefah ou treifah. A determinação de um produto como apto ou não é baseado nas diversas exigências estabelecidas na Torah e na halachá. Nos tempos modernos, um produto vendido possue geralmente uma identificação que o estabelece como produto kosher.

As leis dietéticas de kashrut se encontram na תורה, Torah, no livro de ויקרא, Vayikra, Levítico 11.

Mas o que significam exatamente essas leis nas dimensões psicológicas e espirituais?
Num outro tópico desse mesmo blog se fala da criação do ser humano e o propósito do Eterno em criar dentro do homem o sangue e os órgãos, para que dentre outras coisas simbolizassem verdades psicológicas e espirituais.

Com relação as leis de kashrut, o Eterno também ao criá-la teve esse mesmo objetivo, isto é, de revelar ao ser humano o significado simbólico da mesma.

O ser humano é composto de três essências:

Uma física (corpo) e duas metafísicas (alma e espírito).

Pois bem, cada uma dessas três essências se alimenta de alguma coisa.

Exemplo:

- O corpo se alimenta daquilo que é físico.

- A alma se alimenta daquilo que é psicológico.

- E o espírito se alimenta daquilo que é espiritual.

Alimentos que suprem as necessidades das três essências do ser humano:

- Do corpo: Tudo que é nutritivo e saudável no campo físico - carne de animais, frutas, legumes, leite, ovos, etc.

- Da alma: Tudo aquilo que é bom no campo psicológico - emoções afetivas, alegria, boas lembranças, bons sentimentos, bons pensamentos, amor a D'us e ao próximo, etc.

- Do espírito: Tudo aquilo que é bom no campo espiritual - tzedakah (caridade), justiça, honestidade, bondade, altruísmo, filantropia, etc.

Sendo assim, quando o Eterno criou as leis de kashrut, Ele tinha em mente revelar ao ser humano verdades psicológicas e espirituais, das quais tanto a alma como o espírito do homem se alimentam.

O Eterno deseja que todos valorizem mais o psicológico e o espiritual ao invés do físico. Mas infelizmente a maioria das pessoas não consegue entender o propósito Divino para com as leis psicológicas e espirituais, as quais têm maior valor para o Eterno, pois as mesmas são leis morais, enquanto as leis de kashrut, referentes aos alimentos para o nosso corpo são leis cerimoniais. Por isso essas pessoas permanecem cegas e bitoladas naquilo que são apenas leis cerimoniais ou simbólicas quanto aquilo que é psicológico e espiritual, muito embora também sejam leis do Eterno, porém de menor valor do que as leis morais d'Ele.

E por isso mesmo Yeshua disse que estas duas mitzvot (ordenanças) da Torah são as mais importantes:

שמע ישראל יהוה אלהינו יהוה אחד׃ ואהבת את יהוה אלהיך בכל לבבך ובכל נפשך ובכל מדעך ובכל מאדך זאת היא המצוה הראשנה׃ והשנית הדמה לה היא ואהבת לרעך כמוך

"...Shema Yisrael adonai eloheinu adonai echad. Veahavta et adonai eloheikha bekhol-levavkha uvekhol-naphshkha uvekhol-madaekha uvekhol-meodekha... Veahavta lereakha kamokha..." (Marcos 12:29-31).

"Ouve Israel Adonai nosso D'us é o único Senhor. Amarás pois ao Senhor teu D'us, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: esta é a primeira mitzvah (ordenança). E a segunda semelhante a esta, é: Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Não há outra mitzvah maior do que estas." (Marcos 12:29-31).

Mas infelizmente alguns religiosos se preocupam mais em cumprir a lei cerimonial do que mesmo as leis psicológicas e espirituais ou leis morais do Eterno. Essas pessoas pensam que cumprindo tudo da lei cerimonial já é suficiente. Elas nem sabem distinguir o que vem a ser alimento não kosher para a alma e para o espírito. São pessoas que não se alimentam jamais de comida não kosher ou que jamais pronunciam o NOME, Adonay sem cobertura do kipá, se tratando de homem, mas quando termina o oficio religioso passam logo a participar da "roda dos escarnecedores" descrita em Tehilim, Salmos 1:1, onde se pode ouvir piadas imorais, blasfêmias, לשון הרע, lashon hará (fofoca), etc., pecando contra D'us e o seu semelhante e alimentando assim a sua alma e o seu espírito com aquilo que não é kosher.

Não quero com isso que pensem que sou contra as leis de kashrut. E sim que aquelas pessoas que estão enquadradas nessa mensagem valorizem mais as leis de kashrut para a alma e o espírito e não apenas as leis de kashrut para o corpo.

Abaixo cito quatro links sobre as leis de kashrut:





O único alimento com poder nutritivo triplico:

O único alimento que tem poder nutritivo ao mesmo tempo, para as três essências (corpo, alma e espírito) do ser humano é a Palavra do Eterno.

Quando Moshe, Moisés subiu ao Monte Sinai e lá permaneceu durante 40 (quarenta) dias sem comer e sem beber coisa alguma, durante todo aquele período ele foi alimentado única e exclusivamente do poder de D'us em sua vida. E quando ele desceu do monte o seu rosto brilhava tanto que os israelitas não conseguiram se quer olhar para ele.

Yeshua também jejuou o mesmo número de dias que Moisés, isso para provar aos israelitas que nele se cumpria a promessa do Eterno de enviar um profeta semelhante a Moisés:

"Do meio de seus irmãos lhes suscitarei um profeta semelhante a ti; e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. E de qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu exigirei contas." (Devarim, Deuteronômio 18:18,19).

Yeshua falou que as palavras que ele dizia não eram suas, mas do Eterno e que eram espírito e vida, isto é, verdadeiro alimento para nossa vida triplica - para o corpo, para a alma e para o espírito:

"Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Eterno, que me enviou, esse me deu mandamento quanto ao que dizer e como falar. E sei que o seu mandamento é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Eterno me ordenou." (Yochanan, João 12:49,50).

"O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida."
(Yochanan, João 6:63).

E por último Yeshua nos diz: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra." (Yochanan, João 4:34).

Conclusão:

Na verdade o ser humano deveria ser vegetariano (Bereshit, Gênesis 1:29), pelo menos a permissão para que os animais fossem mortos para servir de alimento (Bereshit, Gênesis 9:3,4) para ele só foi dada após o mesmo ter pecado contra D'us. E essa permissão só veio após o Dilúvio. Mas o conhecimento dessas leis de kashrut já se tinha no tempo de Noé, porque quando as águas do Dílúvio baixaram e Noé e sua família saíram da arca, então Noé ergueu um altar e ofereceu um sacrifício a D'us, mas o texto diz que os animais (Bereshit, Gênesis 8:20) sacrificados eram limpos. Mas não se tem certeza de que o homem já tivesse conhecimento de todas as leis de Kashrut como foram dadas mais tarde aos filhos de Israel.

Por causa do pecado, o homem teria de morrer sem salvação, porém para que ele sobrevivesse alguém teria que morrer em seu lugar. E sabemos que esse alguém não é outro senão o próprio Mashiach. Por isso mesmo o cordeiro de Pêssach simboliza o corpo do Mashiach sendo sacrificado em favor do ser humano. E o próprio Yeshua disse na sua última celebração do Sêder de Pêssach, que a matzá (pão sem fermento) representava o corpo dele sendo partido, isto é, sendo oferecido em sacrifício pelos seus talmidim, discípulos.

Todo judeu sabe que as chalot (pães) de shabat simbolizam o maná que desceu do céu. E Yeshua disse que ele próprio é o verdadeiro pão que desce do céu para dar vida ao mundo (Yochanan, João 6:35,41,48,50), e que se os seus discípulos não comessem da sua carne e não bebessem do seu sangue (Yochanan, João 6:51,53-56) não teriam vida neles mesmos. Ora, as leis de kashrut não permitem que nenhum judeu coma carne humana ou beba sangue de nenhum ser. Mas Yeshua apenas falava por parábolas ou metáforas, para que todos entendessem que dependiam do sacrifício de um justo para que eles fossem perdoados por D’us e assim pudessem entrar no Gan Éden, no Paraíso. E por isso mesmo D’us deu permissão ao ser humano de se alimentar de animais (Bereshit, Gênesis 9:3-6), pois isso seria um ato profético sobre a morte do Mashiach para alimentar, dar vida a todos aqueles que cressem nele e sendo isso a única solução de salvação eterna para suas vidas. Mas foi proibido aos homens alimentarem-se do sangue, isso para que todos soubessem que só existe um sangue que de fato pode dar vida ao ser humano – o sangue do Mashiach, o Verbo ou o Porta-Voz de D'us (Yochanan, João 1:1,14; Apocalipse, Revelação 19:13).

Lehitraot.

פולוס וואלי ✡


Nota sobre minha assinatura:

"Origem judaica dos sobrenomes Valle, Vale.

פולוס - Polos / Paul / Paulo

וואלי - Valley / Valle / Vale

Porque o meu sobrenome Vale deveria ser com duas letras "L", mas por um erro do Cartório só tem uma.

Portanto, abaixo faço referência a um Rabino de renome com esse sobrenome Valle (וואלי):




sábado, 18 de julho de 2009

A criação do ser humano



INTRODUÇÃO:

O Eterno criou o homem e o dotou de sete sentidos com várias finalidades, dentre elas a de revelar ao mesmo a existência de dois reinos espirituais:


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O reino da luz e o reino das trevas

1) O reino da אור, 'or, luz: (I Jo. 1:5,7; Mt. 5:14-16; Jo. 3:21; Cl. 1:12,13).

O reino da luz é o reino de D'us, de Yeshua, dos anjos e homens que estão em plena harmonia com o Eterno e onde tudo é amor, bondade justiça, perfeição, etc., onde não existe mudanças nem sombra de variação. (Tiago 1:17).

2) O reino das חשך, choshékh, trevas: (Ef. 6:12; Jo. 3:19,20).

Já o reino das trevas é o reino dos anjos e homens que estão em rebelião contra o Eterno, onde não existe justiça, verdade, bondade, perfeição, etc.

I – A criação do homem

1) O Eterno criou o homem à sua imagem e semelhança, isto é, dotado também das três essências do seu Criador: (Gn. 1:26,27).

PORTUGUÊS - HEBRAICO - GREGO

a) Espírito - רוח - ruach (vento) - pneuma
b) Alma - נפש - nephesh (folego da vida) - psyke
c) Corpo - גוף - guf (matéria) - soma

2) D'us formou o corpo do homem do pó da terra e dentro do mesmo criou os órgãos e o sangue, com o propósito de que estes, entre outras coisas simbolizassem verdades psicológicas e espirituais. Seguem aqui algumas abordagens sobre o sangue e os principais órgãos do corpo humano com alusões aos fatores psicológicos e espirituais da personalidade do indivíduo:

a) Pulmões – Por que o Eterno criou dentro do nosso corpo dois ראות, rot, pulmões e não apenas um? A resposta é que Ele queria revelar verdades espirituais ao homem e se o homem tivesse apenas um pulmão essas verdades não poderiam ser simbolizadas. Nos pulmões do ser humano D'us realiza um grande milagre: O oxigênio dá vida ao corpo começando pelo sangue. O oxigênio simboliza o Ruach HaShem, o Espírito de D'us que entrou pelas narinas do homem e deu vida ao mesmo. (Gn. 2:7).


O fato de serem dois pulmões é porque um pulmão simboliza o nosso próprio espírito e o local da habitação do mesmo no nosso corpo. E o outro pulmão simboliza o Espírito do Eterno e o local da sua habitação em nosso corpo, pois as Escrituras nos afirmam que somos o templo do Espírito d’Ele. (I Co. 6:19). Portanto, nossos pulmões simbolizam a nossa vida espiritual e o nosso relacionamento com o Espírito do Eterno.

b) Sangue – O nosso דם, dam, sangue (vida física) simboliza nossa alma (vida psicológica). (Gn. 9:4; Lv. 17:11-14). O sangue limpo dá vida ao corpo e órgãos, assim como a alma pura faz bem não só ao corpo, mas também ao espírito.


Quando o sangue de alguém está impuro, isto é, contaminado ou doente, então esse alguém necessita de uma transfusão, para que o seu sangue volte a ser puro novamente. E assim também é com relação a nossa alma e o nosso espírito, pois algumas vezes eles se contaminam com a doença chamada "pecado", daí a necessidade de uma transfusão de sangue a nível metafísico, ou seja, o sangue ou a vida de Yeshua sendo introduzida no profundo do nosso ser, num processo de purificação da nossa alma e do nosso espírito. Então o sangue de Yeshua (Alef Yochanan, 1 João 1:7) nos purifica de todo o pecado! Barukh HaShem!

c) Coração – No idioma hebraico coração é לב, lêv (Pv. 4:23) e no idioma grego é καρδιά, cardia.


O coração é o centro da nossa vida física, pois ele é a bomba que manda o sangue para todo nosso corpo e membros dando vida aos mesmos. E ele simboliza o nosso ego ou centro da nossa vida psíquica. Na realidade é o ego quem decide sobre tudo que é relacionado com o nosso ser, seja físico, psicológico ou espiritual. (Mr. 7:21-23).

d) Rins – Os כליהות, kelaiot, rins são os responsáveis pela filtragem do nosso sangue e distribuem para as vias urinárias todas as enzimas nocivas ao nosso organismo, tais como: uréia, ácido úrico, etc. Um rim simboliza a nossa mente que é o filtro da nossa alma. No idioma hebraico é kelaiot (plural) (Sl. 7:9; 16:7; Jr. 17:10). E no idioma grego é nefrous (Ap. 2:23). E o outro rim simboliza a mente de Yeshua em nós. (I Co. 2:16). Isso porque, se a nossa mente falhar temos a de Yeshua para nos corrigir. A mente interage com o nosso superego, substrato espiritual que atua como sensor ou árbitro separando o certo do errado, o santo do profano, ora nos justificando e ora nos condenando, etc.


e) Cérebro – O מוח ou מח, moach, cérebro é o responsável por todo o processo que comanda todas as atitudes do homem, quer de ordem espiritual, psicológica ou física. É através dele que o espiritual e psicológico se materializa, como por exemplo: Os nossos sonhos, projetos, desejos, o andar, o comer, etc. O cérebro é dividido em: Consciente, subconsciente, inconsciente, memória e raciocínio. Devemos usar o cérebro para as coisas boas.


f) Estômago - O קבה, kevah, estômago é uma parte do tubo digestivo dilatado em bolsa e situado sob o diafragma, entre o esôfago e o intestino delgado, onde os alimentos são revolvidos durante várias horas e impregnados de suco gástrico, que coagula o leite e hidrolisa as proteínas.


E assim como o estômago recebe o alimento, o qual passa pelo processo da digestão para saúde do corpo, assim também a alma e o espírito do ser humano também recebem do alimento psicológico e espiritual, para saúde de ambos respectivamente. E assim como o estômago rejeita aquilo que não faz bem ao organismo, assim também a alma e o espírito devem rejeitar aquilo que não faz bem para eles. Por isso mesmo D'us nos deu as leis de Kashrut, onde Ele nos fala sobre o tipo de alimento que devemos e o que não devemos comer.

g) Intestino - O מעי, meí, intestino é uma víscera abdominal que se divide em intestino delgado e intestino grosso e vai do estômago ao ânus, por onde passa o suco digestivo segregado pelas glândulas do duodeno e do jejuno e que contém numerosas enzimas que agem sobre todas as categorias de alimentos orgânicos. Esse órgão também tem a função de pôr para fora do corpo tudo que não é mais útil ao organismo do mesmo.


Assim como o intestino retira dos alimentos as vitaminas necessárias ao organismo e expulsa o que não mais serve, assim também a alma e o espírito devem fazer uma seleção de tudo que seja proveitoso e rejeitar o que seja nocivo para ambos.

Algumas vezes no intestino localizam-se vermes ou parasitas que sugam as vitaminas destinadas ao organismo do corpo humano, assim também algumas vezes parasitas metafísicos (demônios que introduzem no ser humano a inveja, ciúme, ódio, rancor, mágoa, ira, injustiça, etc.) que sugam a saúde psicológica e espiritual do crente. Mas D'us nos dá o remédio para matar esses vermes - o sangue de Yeshua, o qual contém o antídoto, a cura para esses males se assim desejarmos.

h) E finalmente os órgãos sexuais, o masculino e o feminino:

- Do hebraico זין (zayin), órgão sexual masculino na linguagem do povo.

- E נרתיקה (nartiycah), órgão sexual feminino.

Os órgãos sexuais masculino e feminino do ser humano são os responsáveis pela reprodução desse ser adâmico. E por isso eles simbolizam o poder da reprodução psicológica e espiritual dessa raça. E esse poder reprodutor pode gerar santos ou profanos dependendo do estado em que se encontrar os seus progenitores. Nosso pai Adão pecou e com ele toda raça humana, por isso mesmo consta na Brit ha Chadashah, Nova Aliança ou Novo Testamento o seguinte:

“Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo no Mashiach todos serão vivificados.” (1 Corintios 15:21,22).

Pois a corrente sanguínea de nosso pai, após o pecado dele ficou contaminada pela doença que chamamos de “pecado” e por isso mesmo nos foi transmitida essa tendência pecaminosa, pois o sangue dele corre em nossas veias e artérias.

Nenhum de nós nasceu porque quis e, no entanto herdamos essa tendência pecaminosa de nosso pai, Adão. Contudo, nos foi dada uma oportunidade de sermos salvos, conforme nos diz esse versículo abaixo:

“Mas D’us, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam”. (Atos 17:30).

Quando o ser humano se arrepende de seus pecados e se humilha perante o seu Criador pedindo-lhe o seu perdão, então D’us pelo seu Ruach opera o novo nascimento nesse indivíduo.

As Escrituras nos dizem que os que estão no Mashiach nasceram de novo pelo poder gerador do Ruach HaShem, Espírito de D’us.

No judaísmo a brit milah, circuncisão é feita no órgão sexual masculino. E isso faz muito sentido, porque ela é um sinal dado por D’us de que esse povo pertence a Ele. O fato de D’us exigir isso dos judeus é para que fique bem clara a diferença entre aquele que serve a Ele e o que não O serve, entre o que é justo e santo e o que é ímpio e profano.

Por que D’us ordenou aos judeus que fizessem a circuncisão exatamente no órgão sexual masculino? Porque é através desse órgão que o sêmen é introduzido no útero para ser fecundado um novo ser justo e santo. Mas nem sempre isso se dá porque não basta alguém ser circuncidado no prepúcio para ser justo e santo diante de D’us, pois a circuncisão da carne é apenas um símbolo externo de um posicionamento interno de alguém que se diz ser servo de D’us. Por isso mesmo consta na Torah:

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz”. (Devarim, Deuteronômio 10:16).

E também através do profeta Yrmiahu, Jeremias:

“Eis que os dias vêm, diz o Eterno, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá,... Mas este é o pacto (aliança) que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Eterno: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu D’us e eles serão o meu povo”.
(Yrmiahu, Jeremias31:31,33).

Portanto, a circuncisão no prepúcio simboliza a circuncisão do coração ou do centro da vida psicológica, que vem a ser o próprio ego do ser humano. Por isso não basta que alguém seja circuncidado apenas na carne e não também no coração ou no ego. Porque para D’us há mais valor naquele que é circuncidado de coração mesmo não o sendo na carne do que naquele que é circuncidado apenas na carne.

A circuncisão do coração é simbolizada pela circuncisão do prepúcio do órgão sexual masculino, porque ela faz com que uma pessoa que já tenha passado por esse processo tenha a capacidade, pelo poder do Ruach HaShem de também gerar filhos espirituais. Ora uma criança é gerada no ventre de sua mãe e isso faz sentido com o que Yeshua disse nesse texto abaixo:

"Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios dagua viva correrão do seu ventre. Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Yeshua ainda não tinha sido glorificado." (Yochanan, João 7:38,39).

Porque todo aquele que já nasceu do Ruach HaShem, Espírito de D'us está apto para também gerar filhos espirituais, através da vida de boas obras produzidas pelo fruto do Espírito. (Efesios 2:10; Galatas 5:22).

O Ruach HaShem, Espírito de D'us pode ser simbolizado pelo "vento", pois esse é o significado do termo hebraico "ruach" e também simbolizado por um "rio de água viva".

No caso dos pulmões, conforme já disse acima, eles podem simbolizar o espírito do próprio homem e o Espírito de D'us, e também a habitação dos mesmos, pois nosso corpo é chamado por Shaul, Paulo e Keipha, Pedro como sendo um tabernáculo ou uma habitação tanto para o espírito do homem como para o Espírito de D'us. (1 Corintios 6:19; 2 Corintios 5:1; 2 Pedro 1:13-15).

E no caso do útero ou do ventre o Ruach HaShem é simbolizado por esse "rio de água viva".

Mas alguém poderia dizer-me:

- O homem não tem útero para gerar um novo ser.

Então eu lhe diria que o útero ou o ventre da mulher apenas simboliza o interior do ser humano (do homem e da mulher), local onde se processa esse novo nascimento espiritual em todo aquele que crê no Mashiach segundo a Escritura, conforme Yeshua disse.

Portanto, aquele que ainda não passou pelo processo do novo nascimento gerado pelo Espírito de D'us esse ainda continua gerando filhos com aquela mesma velha natureza tendenciosa para pecar, a qual nos foi transmitida por nosso pai, Adão. Mas aquele que já foi transformado numa nova criatura por esse processo do novo nascimento gerado pelo Espírito de D'us esse agora está apto para gerar filhos espirituais justos e santos, embora o germe do pecado ainda habite em seus corpos, porém não mais com o domínio que tinha antes. Pois a Escritura nos diz que o pecado não terá domínio sobre nós. (Romanos 6:14).

II - D'us criou o homem com sete sentidos (cinco físicos e dois metafísicos):


1) Tato – O חוש המשוש, chush ha mishush, tato nos faz sentir o que é liso ou áspero, macio ou duro, etc.


D'us nos proíbe de usar o tato em algumas situações.

. Tocar em coisa imunda. (Is. 52:11; II Co. 6:17).
. Tocar em dinheiro contaminado. (Dt. 23:18).

Mas D'us deseja que usemos o nosso tato para atos santos diante d’Ele. (I Co.16:20).

. Uma mulher tocou nas vestes de Yeshua com fé e ficou curada. (Mt. 9:20-22).

E D'us também nos toca:

. Para o nosso bem. (Is. 6:6,7; Jr. 1:9).
. Para a nossa correção. (Hb. 10:31).
. E para a condenação do ímpio. (Ap. 20:15, 21:8).

2) Olfato – É o ריח, reiach, olfato quem nos capacita a sentir um cheiro agradável e nos faz capaz também de sentir um cheiro desagradável.


. O incenso santo, o qual simboliza as nossas orações. (Ex. 30:34-36).
. O azeite da santa unção, símbolo do Espírito do Eterno. (Ex. 30:23-25).
. O bom cheiro do Messias. (II Co. 2:15).
. O cheiro de coisas novas.
. O cheiro de coisas limpas.
. Uma pessoa asseada e perfumada cheira bem.

Mas assim como existe o bom cheiro do Messias, existe também o cheiro desagradável do pecado e de Satanás.

. O cheiro de comida estragada.
. O cheiro de esgoto.
. O cheiro de coisas velhas.
. O cheiro de uma lixeira.

O Eterno também tem uma lixeira, o lago de fogo e enxofre que em grego chama-se GEENNA (Mt. 5:22,29; Mc. 9:45,47; Tg. 3:6) e sua localização é no vale do Hinom, ao sul de Jerusalém. Esse nome era usado para figurar o sofrimento da alma humana em conseqüência do juízo divino.

Já no livro de Apocalipse aparece um outro nome em grego - LIMNNE TOU PURÓS, Lago de Fogo, o qual figura também o juízo do Eterno sobre anjos e homens ímpios. É também chamado de SEGUNDA MORTE ou morte eterna, isto é, a separação definitiva do Eterno, de todos os anjos e homens rebeldes contra o Senhor. (Ap. 20:14,15).

3) Audição – A שמיעה, shemiyah, audição nos capacita a ouvir o que queremos e até o que não queremos ouvir, seja de bom ou de ruim.


4) Paladar - É o טעם, taam, paladar quem nos capacita a sentir se o que comemos ou bebemos é gostoso ou ruim, doce ou amargo, salgado ou insosso, etc.


D'us criou as árvores frutíferas não apenas para nos alimentar, mas também para que saboreássemos os seus frutos. Porém nem toda árvore produz bom fruto e por isso mesmo precisamos saber, através do paladar se estamos nos alimentando do bom ou do mal fruto.

5) Visão - É a ראיה, reiyah, visão quem nos capacita a enxergar tudo que se apresenta diante de nossos olhos, seja bonito ou feio, desde que haja luz suficiente. Podemos testemunhar um ato heróico ou um homicídio. A tendência do homem após a queda no jardim do Éden é de ver coisas que não existem, e ficar cego para as grandes lições que estão diante de seus olhos, essa cegueira tem como causa o pecado. Mas a Bíblia nos diz que a candeia do corpo são os olhos. (Mt.6:22,23).


6) O חוש שישי, chush shishi, sexto sentido é o psicológico – É um sentido metafísico, isto é, não pode ser comprovado através das ciências físicas ou exatas. Esse é o sentido da alma, psique, no grego. E é através desse sentido que o homem pode ter alegria, tristeza, amor, ódio...


7) E o תחושת השביעי, techushat ha sheviyí, sétimo sentido do homem é o espiritual – Esse também é um sentido metafísico. Ele fala da própria razão de ser do indivíduo e é ele quem dita todas as normas para nossa vida (alma) e o nosso corpo físico. D'us usa esse sentido para se revelar ao homem.


Se o espírito do homem estiver morto, separado de D'us, então esse homem fica impossibilitado de conhecê-lo, salvo se o próprio D'us o vivificar, através do novo nascimento operado pelo Espírito do Eterno, o Ruach HaShem ou Ruach HaCódesh, Espírito Santo, pois “o homem natural não compreende as coisas do Espírito do Eterno”... (I Co. 2:14-16). Yeshua disse para Nicodemos, um príncipe e mestre dos judeus: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de D'us”. (Jo. 3:3).

CONCLUSÃO:

Nós fomos criados para o louvor da glória do Eterno. (Ef. 1:12-14). E Ele deseja que todo o nosso espírito, toda a nossa alma e todo o nosso corpo sejam apresentados a Ele plenamente conservados, irrepreensíveis para a vinda do Adoneinu Yeshua ha Mashiach. (I Ts. 5:23).

Lehitraot.

פולוס וואלי ✡

Nota sobre minha assinatura:

"Origem judaica dos sobrenomes Valle, Vale.

פולוס - Polos / Paul / Paulo

וואלי - Valley / Valle / Vale

Porque o meu sobrenome Vale deveria ser com duas letras "L", mas por um erro do Cartório só tem uma.

Portanto, abaixo faço referência a um Rabino de renome com esse sobrenome Valle (וואלי):