quarta-feira, 5 de novembro de 2008

As sete festas bíblicas instituídas por D'us



Shalom chaverim!

Além do שַׁבָּת, Shabat, o Eterno nosso D'us criou mais sete festas para os filhos de Israel. Mas com o passar dos séculos, outras festas foram sendo criadas e acrescentadas ao calendário judaico pelo próprio povo. Todavia falarei apenas sobre as sete festas que constam na Torah:

Três delas, historicamente já se cumpriram em Yeshua ha Mashiach:

PÊSSACH – MATZOT – BIKURIM

1) פֶּסַח, Pêssach, Páscoa - Lv. 23:5; I Co 5:7.


"No mês primeiro, aos catorze do mês, no crepúsculo da tarde, é Pêssach do Eterno." (Vayikrá, Levítico 23:5).


Cumprimento de Pêssach na Brit Ha Chadashah:

"Lançai fora o velho fermento (pecado), para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também o Mashiach, nosso Cordeiro de Pêssach, foi imolado." (1 Corintios 5:7).


2) מַצּוֹת, Matzot, Pães Asmos - Lv. 23:6; I Co. 5:8.


"E aos quinze dias deste mês é a Festa dos Pães Asmos do Eterno; sete dias comereis pães asmos." (Vayikrá, Levítico 23:6).

Nessa festa os israelitas estão proibidos durante um período de sete dias de ter em suas casas chametz, fermento (símbolo do pecado) e de comer qualquer alimento que contenha essa substância ou mesmo de beber alguma bebida fermentada, sob pena de ser excluído da congregação, do meio do povo quem não cumprir com essa mitzvá, ordenança. (Shemot, Êxodo 12:15-20).


Cumprimento de Matzot na Brit Ha Chadashah:

"Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento (chametz), nem com o fermento (pecado) da maldade e da malícia, e sim com os asmos (matzot) da sinceridade e da verdade." (1 Coríntios 5:8).

Yeshua falou sobre o fermento (pecado) dos escribas e fariseus, o dos saduceus e o de Herodes. (Mateus 16:6,11,12; Marcos 8:15; Lucas 12:1).

Os três tipos de fermentos (pecados) mencionados por Yeshua:

a) Dois tipos eram em carater religioso:

. O fermento (pecado) dos escribas e fariseus era a hipocrisia com que muitos deles doutrinavam o povo, porque ensinavam, falavam, mas não praticavam. (Mateus 23:1-8,13,23-39).

Infelizmente nos dias de hoje também esse tipo de fermento (pecado) é um dos que mais tem sido propagado no meio dos que se dizem seguidores do Mashiach, Messias.

. O fermento (pecado) dos saduceus era a negação das Escrituras, porque eles não acreditavam na ressurreição e nem na existência de anjos e nem de espíritos. (Atos 23:8).

Muitos nos dias de hoje são como os saduceus, porque também não acreditam em algumas doutrinas bíblicas, por exemplo: Na manifestação dos dons espirituais, tais como o dom de curar, o dom de línguas, a operação de milagres e maravilhas, etc.

b) E o outro tipo era em carater político:

. O fermento (pecado) do rei Herodes era a ilegalidade do poder, porque o único poder legal é aquele estabelecido por D'us. Herodes era rei de fato, mas não de direito e a ilegalidade do seu poder estava no fato dele não ter sido ungido por D'us para exercer o trono. Porém, Yeshua sim fora ungido como Rei legítimo para exercer o poder de reinar não apenas sobre Israel, mas sobre o mundo todo. (Tehilim, Salmos 2).


3) בִּכּוּרִים, Bikurim, Primícias - Lv. 23:10-11; I Co. 15:23.


"Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, e segardes a sua messe, então, trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote; este moverá o molho perante o Eterno, para que sejais aceitos". (Vayikrá, Levítico 23: 10,11).

Em Israel, Bikurim se celebra no dia 06 de Nissan, conforme texto abaixo:

"Shavuot é o segundo feriado dos três feriados de peregrinação. Este feriado também é conhecido pelos nomes de "Festa das Primícias" (Chag HaBikurim) e Festa do "Recebimento da Torá" (Matan Torá). O feriado é de um dia em Israel (dia 6 do mês de Nissan) e de dois dias na Diáspora (6-7 do mês de Nissan)."

Fonte:


Porém, o texto de Vayikrá, Levitico deixa transparecer que Bikurim se celebrava no dia 16 de Nissan ou II dia de Pêssach na Diápora, dia em que o molho das primícias era etregue ao cohen, sacerdote. E nesse dia festeja-se o início da colheita e é também o primeiro dia das sete semanas em que se conta o omer até o quadragésimo nono dia, após o qual se celebra a festa de Shavuot ou das Semanas, no quinquagésimo dia. (Vayikrá, Levítico 23: 15-17).

O texto a seguir concorda com minha interpretação sobre o dia em que se celebrava Yom Ha' Bikurim, Dia das Primícias:

"CHAG HA'SHAVUOT" significa "Festa das Semanas"; o término da contagem de sete semanas (Sefirat Ha' Omer) que se inicia no segundo dia de Pessah (Páscoa). Ou "Festa da Ceifa" e Yom Ha' Bikurim, ressaltando seu caráter agrícola."


Outros textos interessantes:

"יום הביכורים - Yom ha Bikurim - Dia Das Primícias. Este nome também é mencionado no Pentateuco é uma referência ao dia em que era trazido o sacrifício das primícias em cheiro suave a Adonai, além disso sinaliza o início das oferendas das primícias nos próximos sete dias, no dia da festa e mais seis dias após a mesma."


"...Deuteronômio 26:1-2, “E será que, quando entrares na terra que o S-NHOR teu D-us te der por herança, e a possuíres, e nela habitares, Então tomará das primícias de todos os frutos do solo, que recolheres da terra, que te dá o S-NHOR teu D-us, e as porás num cesto, e irás ao lugar que escolher o S-NHOR teu D-us, para ali fazer habitar o seu nome."

As primícias (bikurim) são os produtos listados em Deuteronômio 8:8; as Shevat haminim: trigo e cevada, uvas, figos e romãs; oliveiras, tâmaras. Assim que o agricultor hebreu via os primeiros frutos a brotarem ele marcava estes fritos com uma fita vermelha para indicar que aqueles seriam os bikurim (os primeiros frutos), após a colheita destes primeiros frutos eram colocados em uma cesta e levados a Jerusalém em grande alegria para serem levados ao Templo...

...Esta é a nossa consolação na tristeza e na dor, sim buscando o regozijo e a alegria, mas também em tempos de alegria tais como um casamento onde quebramos uma taça de vidro para lembrar que ainda estamos tristes pela destruição do Templo, a Casa de D-us para todas as nações, também nos lembra que vivemos num mundo do ‘ainda não chegamos lá’ no nosso estado de existência, neste mundo de trevas nossa esperança está no mundo por vir e na eternidade. Pois tenho para mim que as aflições desta era presente (Olam hazê) não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Romanos 8:18...."

Fonte: Site Yeshua Chai

Embora a palavra hebraica para casamento seja חֲתֻנָּה, Chatunah, apesar disso é comum também se usar o termo בִּכּוּרִים, Bikurim, primícias para fazer referência ao mesmo. O encontro de Ruth, uma moabita convertida ao judaísmo com o judeu Boaz ocorreu na época das colheitas, encontro esse que teve como consequência o casamanto de ambos. Naomi, sogra de Ruth sabia que Boaz como o parente mais próximo de Ruth, de acordo com a Lei de Moisés sobre o levirato (Devarim, Deuteronômio 25: 5), seria obrigado a casar-se com Ruth, a viúva de seu filho e assim resgatá-la. E esse fato possivelmente tenha contribuido para que Bikurim (primícias) viesse a ser uma espécie de sinônimo de Chatunah (casamento). E essa seria uma das razões porque se lê a Megillat Ruth em Shavuot. Ruth e seu marido Boaz foram os bisavós do Rei David. Mas além de Bikurim (primícias) existe uma outra expressão hebraica para referir-se a Chatunah (casamento), chama-se Kedushim, a qual significa santificação ou separação daquilo que é profano. Kedushim é a sacralização do casamento; a Brachá, a bênção; e a Ketubá, a certidão de casamento. E assim os noivos são uma oferta de Bikurim, de primícias e também uma oferta de Kedushim, de santificação, de separação para uma vida em sintonia com D'us, através da obediência às mitzvot, ordenanças da Torah.

Ver a relação de Bikurim com Chatunah nesse vídeo abaixo:


Cumprimento de Bikurim na Brit ha Chadashah:

Bikurim simbolisa a ressurreição (primeiros frutos da terra) do Mashiach e também a dos seus redimidos, após a qual se unirão a ele nos ares, no arrebatamento dos mesmos.

"Cada um, porém, por sua própria ordem: Mashiach, as primícias; depois, os que são do Mashiach, na sua vinda." (1 Coríntios 15:23).



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Uma festa cujo cumprimento começou, mas foi interrompido. O seu cumprimento completo ainda é futuro: Jl. 2:38-32; Ap. 6:12; Mt. 24:29; Lc. 21:25; Is. 13:9-10; Mc. 13:24-26.


4) שָׁבוּעוֹת, Shavuot, Pentecostes – Lv. 23:15-17; Jl 2:28-32; At. 2:1.


"Contareis para vós outros desde o dia imediato ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia imediato ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; então, trareis nova oferta de manjares ao Eterno. Das vossas moradas trareis dois pães para serem movidos; de duas dízimas de um efa de farinha serão; levedados se cozerão; são primícias ao Eterno." (Vayikrá, Levítico 23:15-17).


Cumprimento parcial de Shavuot na Brit Ha Chadashah:

Os talmidim, discípulos de Yeshua recebem em plena festa de Shavuot a promessa do enchimento do Ruach HaShem, Espírito de D'us feita pelo próprio Eterno no Tanach:

A promessa:

"E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do Eterno. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Eterno será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o Eterno prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o Eterno chamar." (Yoel, Joel 2:28-32).

O cumprimento:

"Ao cumprir-se o dia de Shavuot, Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar..." (Atos capítulo 2).

· No livro de Vayicrá, Levitico 23:17 diz o seguinte:
“dois pães” e “levedados se cozerão”

Pão asmo, MATZÁ no hebraico é o pão sem fermento. E levedados, significa com fermento, CHAMETZ no hebraico.

Nota:

a) חַלֹּת, chalot é o plural de חִלָּה, chalá.
b) מַצּוֹת, matzot é o plural de מַצָּה, matzá.

· Enquanto os asmos (matzot) de Pêssach falam do corpo do Mashiach que não tem pecado; levedados (chalot) de Shavuot e de Shabat falam da kehilá (congregação) de Yeshua remida e composta de judeus e gentios (dois pães), na qual ainda habita o germe do pecado, porém sem o domínio que tinha sobre seu corpo. “O pecado não terá domínio sobre vós”. Rm. 6:12-14.

As chalot, pães com fermento usados no Shabat e em Shavuot marcam a diferença dessas festas para festa de Pêssach, no que diz respeito aos pães. Pois na celebração do Pêssach as matzot, pães sem fermento, fazem contraste com as chalot, pães fermentados de Shabat e de Shavuot. E eis aqui um grande mistério, porque o fermento simboliza o pecado.

Em Pêssach o Eterno proíbe se comer chalot e em Shavuot e no Shabat Ele ordena que se coma desses pães com fermento.

Levedados, quer dizer pães (Chalot de Shabat e de Shavuot) ou qualquer coisa com fermento (chametz), que significa "com o pecado", em contraste com pães asmos (matzot de Pêssach), pães sem fermento, "sem o pecado".

E nesse grande contraste das matzot de Pêssach e das chalot do Shabat e de Shavuot esses pães apontam para duas direções distintas:

a) As matzot de Pêssach apontam para o corpo do Mashiach.

b) E as chalot de Shabat e de Shavuot apontam para o corpo da kehilá de Yeshua, muito embora se faça também nessa celebração uma alusão ao último Pêssach celebrado por Yeshua, quando ele estabeleceu a Brit ha Chadashá, a Nova Aliança, através do sacrifício do seu corpo e selada com seu próprio sangue.

Portanto o Shabat se harmoniza mais com a festa de Shavuot, dia em que a kehilá de Yeshua recebeu a promessa do Ruach HaShem, profetizada pelo profeta Yoel e que se cumpriu em Atos 2:1-13. Pois na instituição dessa festa (Vayicrá, Levitico 23:17) HaShem ordenou que fossem feitas duas chalot, para serem oferecidas a Ele como oferta de primícia aceitável.

Três festas que ainda devem cumprir-se historicamente em Yeshua:

SHOPHAROT – YOM KIPUR – SUCOT


5) שׁוֹפָרוֹת, Shopharot, Trombetas – Lv. 23:24; I Co. 15:51,52;
Ex. 19:15-19; I Ts 4:16,17; Rm. 8:11.


"Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso solene, memorial, com sonidos de trombetas, santa convocação." (Vayikrá, Levítico 23:24).

. Para Israel essa festa é retrospectiva e lembra a fusão do
povo de Israel com Adonay ao som de trombeta no Monte Sinai.

. Mas nessa festa em nossos dias Israel comemora também o Rosh Ha Shanah, o Ano Novo Judaico.

Eis aqui um vídeo com uma música judaica sobre essa festa:


Cumprimento futuro de Shofarot na Brit Ha Chadashah:

· Para a Kehilá de Yeshua, essa festa se cumprirá num dia muito importante, pois será nesse dia, a ressurreição dos redimidos que dormem no Senhor e também o arrebatamento da mesma.

"Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." (1Coríntios 15:51,52).

Acessem esse vídeo abaixo e ouçam o toque do shophar.



6) יוֹם כִּפֻּר, Yom Kipur, Dia do Perdão - Ex. 39:25; Lev. 16:29-31, 23:27,28.


"Mas, aos dez deste mês sétimo, será o Dia da Expiação; tereis santa convocação e afligireis a vossa alma; trareis oferta queimada ao Eterno. Nesse mesmo dia, nenhuma obra fareis, porque é o Dia da Expiação, para fazer expiação por vós perante o Eterno, vosso D'us." (Vayikrá, Levítico 23:27,28).


O sumo sacerdote vestia-se de roupas simples, humildes para a expiação (Lv. 16:4,32), e logo após despia-se das suas vestes humildes e se revestia de suas vestes gloriosas. Lv. 16:23,24.

Cumprimento de Yom Kipur na Brit Ha Chadashah:
. Os redimidos dentre judeus e gentios já foram perdoados em Yeshua.

. Essa festa se cumprirá no futuro em Israel, quando o Sumo Sacerdote Yeshua, sair do seu Mishkan (Tabernáculo) no céu, vestido das suas vestes gloriosas. Mt. 24:30; Zc. 12:10,13; Hb. 9:28.


7) סֻּכּוֹת, Sucot, Tabernáculos (Sucot/Cabanas) Lv. 23:34,39,42-44(סֻּכֹּת).


"Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Eterno, por sete dias... Porém, aos quinze dias do mês sétimo, quando tiverdes recolhido os produtos da terra, celebrareis a festa do Eterno, por sete dias; ao primeiro dia e também ao oitavo, haverá descanso solene... Sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais de Israel habitarão em tendas, para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Eterno, vosso D'us. Assim, declarou Moisés as festas fixas do Eterno aos filhos de Israel." (Vayikrá, Levítico 23:34,39,42-44).


Cumprimento futuro de Sucot na Brit Ha Chadashah:

. Para Israel e todas as nações no futuro, no reinado de Yeshua sobre a Terra, o qual durará aproximadamente mil anos. E logo após haverá o juízo final. Ap. 20:1-3; Zc. 14:16,17; Ap. 20:7-15. E para a kehilá de Yeshua essa festa será na Nova Jerusalém, a cidade palaciana. Ap. 21:2,3. Na verdade todas as nações andarão sob a luz do Tabernáculo de D'us e levarão para a Santa Cidade toda sua honra e glória. Ap. 21:24-26.

Celebremos então estas festas com alegria e cantemos ao Eterno, Nosso D'us de todo o nosso coração.

Lehitraot.

פולוס וואלי ✡

Nota sobre minha assinatura:

"Origem judaica dos sobrenomes Valle, Vale.

פולוס - Polos / Paul / Paulo

וואלי - Valley / Valle / Vale

Porque o meu sobrenome Vale deveria ser com duas letras "L", mas por um erro do Cartório só tem uma.

Portanto, abaixo faço referência a um Rabino de renome com esse sobrenome Valle (וואלי):



Um comentário:

Domicio bastos da cruz disse...

Òtimo as festas de israel.