quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A Antiga e a Nova Aliança



I - A Antiga Aliança. (Yirmyah, Jr. 31:32).

A prática de sacrifícios e a obediência aos mandamentos como meio de justificar o ser humano diante do Eterno caracterizavam e condicionavam a Antiga Aliança. (Devarim, Dt. 27:26; Gl. 3:10). E esses sacrifícios que eram oferecidos a D'us tinham que ser oferecidos pelas próprias pessoas que tivessem cometido pecado, de acordo com sua classe social. (Vayicrá, Le 5:6,7). Mas embora houvesse essa condição de sacrificar para que o pecador fosse perdoado por D'us, no entanto o que sempre prevalecia mesmo era a graça e a misericórdia de D'us para que o mesmo viesse a ser perdoado e não o ato de sacrificar ou as obras de justiça do ser humano (Devarim, Deuteronômio 9:4-8) ainda mais porque o sangue de animais não é suficiente para expiação dos pecados da raça humana, pois os sacrifícios de animais eram apenas em caráter simbólicos ao sacrifício maior do Mashiach. E também as Escrituras nos dizem que a nossa justiça é como trapo da imundícia. (Yeshayah, Isaías 64:6; Filipenses 3:9).


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II - A Nova Aliança (הברית החדשה). (Yirmyah, Jr. 31:31,33).



Já na Brit HaChadashah, Nova Aliança (1 Corintios 11:23-26) o pecador não tem nenhuma participação no ato de sacrificar, pois a salvação não vem de obras, para que ninguém se glorie diante do Eterno. (Chabakuk, Hab. 2:4; Ef. 2:9). Agora o ser humano recebe de graça o perdão dos pecados e a salvação. E isso vem a ser um imerecido favor de D'us que o homem adquire, por meio da fé que também é um dom, uma dádiva do Eterno. (Ef. 2:8). Então na Nova Aliança ficou mais evidente que o ser humano sempre recebeu o perdão de seus pecados pela graça e misericórdia de D'us independente de obras de justiça praticadas por ele e também do ato de sacrificar, quando prevalecia a Antiga Aliança, ou seja, antes do Mashiach ter vindo para estabelecer a Nova Aliança.

III - O selo da antiga e o da nova aliança:

O selo da primeira e antiga aliança era o sangue de animais. Já na segunda e nova aliança, o selo é o sangue do filho do Eterno. E é óbvio que o sangue de animais não é suficiente para resgatar a vida humana, por isso mesmo a primeira aliança não era suficiente para realizar a redenção maior, até que na plenitude dos tempos o Eterno enviasse o seu próprio filho, o Mashiach que realizaria essa redenção, o qual foi profetizado desde Bereshit, Gênesis 3:15.

A morte do Messias Yeshua em substituição do homem pecador era o único sacrifício perfeito, suficiente e definitivo, para a concretização da redenção desse ser humano do poder do reino das trevas, do pecado e da morte, para que o mesmo tivesse a vida eterna.

O Mashiach veio cumprir a Antiga Aliança e depois estabelecer a הברית החדשה, HaBrit ha Chadashah, a Nova Aliança com o selo do seu próprio sangue, o qual é simbolizado pelo cálice com vinho de Pêssach e o seu corpo pelas matzot também de Pêssach.

Eis aqui o texto em que Yeshua ao celebrar o seu último Sêder de Pêssach mostra um novo significado dessa festa, pois ele diz que as matzot (pães ásmos) simbolizam o seu corpo e o vinho do cálice, simboliza o seu sangue - o selo da Nova Aliança:


אִגֶּרֶת פּוֹלוֹס הָרִאשׁוֹנָה אֶל־הַקּוֹרִנְתִּיִּים פֶּרֶק יא

23 כִּי־כֵן קִבַּלְתִּי אֲנִי מִן־הָאָדוֹן וּמָסַרְתִּי לָכֶם כִּי הָאָדוֹן יֵשׁוּעַ בַּלַּיְלָה אֲשֶׁר־נִמְסַר בּוֹ לָקַח אֶת־הַלָּחֶם׃ 24 וַיְבָרֶךְ וַיִּבְצַע וַיֹּאמַר קְחוּ אִכְלוּ זֶה גוּפִי הַנִּבְצָע בַּעַדְכֶם עֲשׂוֹּ־זֹאת לְזִכְרִי׃ 25 וּכְמוֹ־כֵן אֶת־הַכּוֹס אַחַר הַסְּעוּדָה וַיֹּאמַר הַכּוֹס הַזֹּאת הִיא הַבְּרִית הַחֲדָשָׁה בְּדָמִי עֲשׂוֹּ־זֹאת לְזִכְרִי בְּכָל־זְמַן שֶׁתִּשְׁתּוּ׃

I Corintios 11:23-25

23 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Adon Yeshua, na noite em que foi traído, tomou a matzá;
24 e, tendo feito a beracha (bênção), a partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.
25 Por semelhante modo, depois da refeição, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a brit ha chadashah no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.

IV - Na Nova Aliança a adoração independe de lugar específico e sim de um estado de espírito do ser humano:

Eis aqui uma parte de um diálogo de Yeshua com uma certa mulher de Samaria, no qual ele afirma o seguinte:

“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Yeshua: Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Eterno em espírito e em verdade; porque o Eterno procura a tais que assim o adorem”. (Yochanan, João 4:20-23).

E o próprio rei David, ainda que estando sob a lei da Torah, ou seja, sob a forma condicional de sacrificar para receber o perdão dos pecados, disse:

“Pois tu não desejas sacrifícios, senão eu os daria a ti; tu não te agradas de holocaustos”. (Tehilim, Sl. 51:16).

Mesmo ele sabendo que foi o próprio D'us quem instituiu todas aquelas ordenanças. Mas Davi já via pela fé a nova estrutura que o Eterno estabeleceria depois que o Cordeiro Yeshua fosse sacrificado apenas uma vez, todavia suficiente e definitivamente para resgatar e salvar não apenas os judeus, mas também a todo aquele que nele cresse, seja judeu ou goy, gentio.

E Yochanan, João, talmid, um discípulo de Yeshua escreveu:

“Porque D'us amou o mundo de tal maneira que deu o seu único filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Yochanan, João 3:16).

V - Uma parábola de Yeshua e seu significado:

“E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres, o vinho se derramará, e os odres se estragarão. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos. E ninguém, tendo bebido vinho velho, prefere o novo, porque diz: O vinho velho é melhor”. (Lucas 5:37-39).

Aqui, até parece que Yeshua não dizia coisa com coisa, pois o assunto girava em torno do fato de que os talmidim, discípulos de Yochanan, João o que fazia mikvê (batismo) e os fariseus jejuavam e os discípulos de Yeshua comiam e bebiam. (Lucas 5:33). A resposta é porque tanto os discípulos de João como os fariseus ainda não tinham o chatan, o noivo (Yeshua) como seu Mashiach. Por isso eles deveriam estar tristes, já os discípulos de Yeshua não. Mas quando Yeshua respondeu a pergunta dos escribas e fariseus (Lucas 5:34-39), ele lhes falou por parábola para os confundir ainda mais, pois D'us resiste aos soberbos, porém dá graça aos humildes. (Tiago 4:6).

A interpretação das parábolas de Yeshua somente pode ser feita por alguém que tenha o dom do Ruach HaShem, o Espírito do Eterno. A parábola fala sobre remendo novo em vestes velhas e de vinho novo em odres velhos. (Lucas 5:36,37). E a interpretação é uma só, conforme veremos a seguir:

1) De que Yeshua estava falando na verdade?
2) O que representa o remendo novo e o vestido velho?
3) O que representa o vinho novo e o vinho velho?
4) O que vem a ser os odres novos e os odres velhos?

a) A resposta para essas perguntas acima é uma só, ou seja, que Yeshua falava sobre as duas naturezas que o ser humano tem:

– A nova natureza espiritual e santa gerada por D'us no ser humano:

O remendo novo, o vinho novo e os odres novos falam da nossa nova natureza gerada pelo Espírito do Eterno, significando agora que aquele que está no Mashiach é uma nova criatura, um novo indivíduo, não criado como foi Adão, nosso pai, mas gerado por D'us. E isso quer dizer que esse novo homem tem agora em si mesmo o próprio DNA divino ou a cadeia genética metafísica vinda do Eterno. E que ele terá na ressurreição também um corpo metafísico, uma estrutura corporal semelhante a do corpo do Mashiach Yeshua após a sua ressurreição, pois só essa estrutura pode comportar a nova forma de vida celestial que D'us nos dá, porque a nossa estrutura carnal não é capaz disso. E por isso mesmo Shaul diz que nosso ser geme, anseia para ser revestido de um corpo espiritual (metafísico), que havemos de receber na ressurreição. (Romanos 8:23).

– E a velha natureza carnal e pecaminosa do ser humano:

O vestido velho, o vinho velho e os odres velhos falam da estrutura ou natureza carnal e religiosa do ser humano. Essa estrutura ou velha natureza tendenciosa para pecar foi nos dada pelos nossos pais Adão e Eva. E inclui até mesmo a falsa religiosidade daqueles que são religiosos apenas na aparência, mas não no interior, porque não têm uma vida espiritual autêntica, isto é, um relacionamento pessoal e íntimo com D’us, mas apenas uma religiosidade para os homens ver.

5) E o que ele queria dizer com essa expressão;"e ninguém, tendo bebido o velho, quer o novo; porque diz: O velho é bom?"

Eis aí a resposta para essa quinta pergunta:

O fato de alguém ter bebido do vinho velho, ter gostado, e não querer beber do vinho novo, diz respeito à oposição que existe entre a carne e o espírito, ou seja, entre a velha e a nova natureza.

O homem carnal só cogita das coisas da carne, mas o espiritual das coisas de D'us.

Yeshua respondeu para um rabino de Israel que o procurou a noite para saber sobre a vida eterna:

“Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de D'us”. (Yochanan, João 3:3).

Por isso essa nova vida (vinho novo) no Mashiach, só se adapta ao novo homem (odres novos) gerado pelo Eterno.

Portanto, o remendo novo, o vinho novo e os odres novos são a outra forma de vida do ser humano, a vida espiritual autêntica, a qual é inerente daquele que já foi transformado em uma nova criatura gerada pelo Espírito do Eterno. E essa forma de nova criatura não tem aparência externa, porque é do coração, de intenção (kavaná) e não vem da vontade do homem ou das suas obras, mas de D'us, pela fé, a qual é um dom do Eterno.

Já a velha vida (vestido velho, vinho velho e odres velhos) carnal e religiosa se adapta perfeitamente ao velho homem. Por isso mesmo Yeshua foi rejeitado pela maioria dos judeus de seu tempo e ainda é pela maioria dos judeus de hoje, pois eles eram e são homens mais carnais e religiosos do que homens espirituais autênticos, isto é, que não se distinguem pela aparência e sim pelo servir a D'us em espírito e em verdade.

VI - Alguns detalhes importantes que diferenciam as duas alianças:

- Na primeira Aliança:

a) Os kohanim, sacerdotes eram da Ordem Sacerdotal de Levi.

b) Todos os sacerdotes ofereciam sacrifícios pelo povo e também por si mesmos, inclusive o próprio Sumo Sacerdote.

c) Todos os sacerdotes eram substituídos por outros, inclusive o Sumo Sacerdote.

d) O משכן, Mishkan, Tabernáculo ou o ברית החדשה, Beit ha Mikdash, Templo era terreno.

e) O selo da Antiga Aliança era o sangue de animais.

- Na segunda ou Nova Aliança:

a) Os kohanim, sacerdotes são da Ordem Sacerdotal de Melquisedeque, uma Ordem Eterna. (Tehilim, Salmos 110:4).

b) Somente o Sumo Sacerdote Yeshua ha Mashiach se ofereceu como único sacrifício perfeito, santo, suficiente e eterno pelos pecados do ser humano, mas não por si mesmo, pois Yeshua nunca pecou, porém o Sumo Sacerdote da Antiga Aliança oferecia sacrifícios por si mesmo, pois também era um pecador.

c) Nenhum sacerdote é substituído por outro, pois todos pertencem a uma Ordem Eterna.

d) O משכן, Mishkan, Tabernáculo ou o ברית החדשה, Beit ha Mikdash, Templo é celestial. A ירושלם החדשה, Yerushalaim HaChadashah, Nova Jerusalém apesar de não ser ela o Templo celestial, mas sim uma parte dele, aquela parte coberta que tem o formato de um cubo, ou seja, o lugar mais sagrado do Tabernáculo ou do Templo, o Santíssimo Lugar, onde D'us habita. Essa Nova Jerusalém também tem o mesmo formato de um cubo (Apocalipse 21:15,16) e é descrita no livro da Revelação como sendo o משכן, Mishkan, Tabernáculo (habitação) de D'us com os homens. (Revelação, Apocalipse 21:2,3).

Ver na figura abaixo o Santo e o Santíssimo Lugar do Tabernáculo.


Nota:

Num outro artigo desse mesmo blog um estudo sobre o Tabernáculo é apresentado com mais detalhes. Nesse estudo o significado de cada dependência do Tabernáculo é mostrado, veja aqui uma parte do mesmo:

"I – O TABERNÁCULO E SUAS TRÊS DEPENDÊNCIAS

1. ÁTRIO – Simboliza o mundo exterior e visível ou mundo físico.

2. SANTO LUGAR – Simboliza uma parte do mundo interior e invisível ou as regiões celestes, onde se travam as batalhas espirituais.

“e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Yeshua haMashiach;” (Ef.2:6).

“porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Ef.6:12).

3. SANTÍSSIMO LUGAR – Simboliza uma outra parte do mundo interior e invisível, a própria presença de D'us, seu trono ou o Céu dos Céus onde Ele habita."

e) O selo da Nova Aliança é o sangue do próprio filho de D'us.

Portanto, a Antiga Aliança era em caráter figurativo, tipológico e simbólico sobre a Nova Aliança. Ora aquilo que é uma sombra, uma figura, um tipo ou um símbolo tem valor inferior ao que é real. E por isso mesmo o autor da carta aos Hebreus diz:

"De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (pois sob este o povo recebeu a lei), que necessidade havia ainda de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. E visto como não foi sem prestar juramento (porque, na verdade, aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, mas este com juramento daquele que lhe disse: Jurou Adonay, e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre), de tanto melhor pacto Yeshua foi feito fiador. E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece para sempre, tem o seu sacerdócio perpétuo". (Hebreus 7:11,12,20-24).

Todavia, o בית המקדש, Beit ha Mikdash será reconstruído, pois importa que os sacrifícios sejam reiniciados, não para que os pecados do povo sejam perdoados, mas para servir de sacrifícios simbólicos ao sacrifício maior do Mashiach como sempre foram e também como um memorial desse mesmo sacrifício de Yeshua.

Lehitraot.

פולוס וואלי ✡


Nota sobre minha assinatura:

"Origem judaica dos sobrenomes Valle, Vale.

פולוס - Polos / Paul / Paulo

וואלי - Valley / Valle / Vale

Porque o meu sobrenome Vale deveria ser com duas letras "L", mas por um erro do Cartório só tem uma.

Portanto, abaixo faço referência a um Rabino de renome com esse sobrenome Valle (וואלי):




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