quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Hagadá de Pêssach e os judeus messiânicos do primeiro século



“A Hagadá original voltava-se para a interpretação dos símbolos de Pêssach, um costume extraordinário, já que em nenhuma outra ocasião o judeu é obrigado a proclamar a base lógica de um mandamento. Ainda aqui, Rabi Gamaliel III, o proeminente sábio do período que seguiu à destruição do templo 70 (d.e.c.), decretou que a omissão de elucidar o significado dos símbolos anula o valor de usá-los. Portanto a Hagadá reflete as preocupações judaicas reais, provenientes do tumulto do primeiro século.

Muitos cristãos acreditavam que a última ceia de Jesus havia sido no Sêder. Estes cristãos – muitos deles judeus convertidos – provavelmente continuavam a fazer todos os anos o seu Sêder como sempre o haviam feito, antes de serem adeptos de Jesus de Nazaré. Para eles, porém, o ritual do Sêder estava imbuído de novos significados. A matzá, por exemplo, era o corpo do seu Senhor, assim como este o havia declarado antes de morrer.”
(A Hagadá de Pêssach – página 9).

Central Conference of American Rabbis, Tradução de Kathe Windmuller, Supervisão do Rabino Henry I. Sobel, “A Hagadá de Pêssach” Editora B’Nai B’Rith, São Paulo – Brasil, 1977.


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Porque do ponto de vista judaico messiânico os judeus que reconhecem Yeshua como o seu verdadeiro Mashiach (Messias) continuam praticando o verdadeiro judaísmo. Pois um judeu não deixa de ser judeu quando reconhece Yeshua como o Mashiach, porque ao fazer isso ele se completa como tal, mas um judeu que ainda não identificou o Mashiach ainda é um judeu incompleto.

Um debate sobre Judaísmo Messiânico num programa de TV.

A apresentadora de TV Eliana Ovalle, que hoje professa a fé cristã, mas que nasceu em berço judaico tradicional por parte de mãe, num de seus programas apresentou um debate onde foi discutido o tema "Judaísmo Messiânico" do ponto de vista desses três grupos religiosos:

Judaísmo Tradicional, Judaísmo Messiânico e Cristianismo.

Participaram desse debate as seguintes pessoas:

O Rabino messiânico Daniel Woods, o qual nasceu em berço judaico tradicional; os Pastores Sérgio Danon e seu pai Joseph Danon, que também nasceram em berço judaico tradicional, porém agora professam a fé cristã; e a judia tradicional Diane Kuperman.

Durante o debate a Sra. Diane Kuperman fez um comentário sobre um artigo de minha autoria denominado Procurando o Afikoman, porém usando um texto sem contexto como pretexto de seu argumento antijudaísmo messiânico.

Eis aqui um vídeo com uma parte desse debate:


Cito aqui em minha defesa provas que minha declaração lida pela Sra. Kuperman foi feita apenas do ponto de vista católico e protestante e não do ponto de vista judaico messiânico, conforme segue abaixo:

"Yeshua instituiu a Santa Ceia na sua última celebração da Páscoa."
(Mt 26:17, 20 e 26, compare com Ex.12: 5, 6, 15 e 18).

Vejam mais abaixo, essa OBSERVAÇÃO postada por mim no site Orkut, em 04/11/05 o contexto do que falei acima:

"...Yeshua celebrou o seu último Pêssach e instituiu a comemoração da HaBrit HaChadashá, da Nova Aliança no seu sangue ou a chamada Santa Ceia, pelos católicos e protestantes..."

As duas postagens que fiz desse mesmo artigo (com o texto original, mencionado pela Sra. Kuperman) na comunidade Judeus Messiânicos Cariocas, no site Orkut, no dia 03/11/05 e a outra no dia 04/11/05, portanto cerca de 04 (quatro) a 05 (cinco) meses antes do referido programa ter ido ao ar, provam que as mesmas foram feitas usando o texto original desse meu artigo.

O Pêssach, o Shabat e a chamada Santa Ceia pelos católicos e protestantes:

Tanto no Pêssach como no Shabat celebrados pelos judeus messiânicos e também na Santa Ceia celebrada pelos cristãos católicos e protestantes se faz alusão ao último Pêssach celebrado por Yeshua, no qual, ele deu um novo significado para a celebração dessa festa, conforme nos fala hashaliach Shaul, Paulo, o enviado para anunciar as boas novas de salvação em Yeshua aos goim, gentios. Confiram o texto em que Paulo fala isso:

»I CORINTIOS [11]
23 Porque eu recebi do Adon o que também vos entreguei: que o Adon Yeshua, na noite em que foi traído, tomou pão;
24 e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim.
25 Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.
26 Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.

Todas as semanas, no decorrer de séculos a kehilá de Yeshua celebrou e continua celebrando uma festa em memorial a ele, o Mashiach.

Nessa festa os seus talmidim, discípulos comem pão e bebem vinho, símbolos do seu corpo e do seu sangue em sacrifício para redenção do ser humano. Mas essa festa não poderia ser o Pêssach, pois este só se celebra uma vez no ano. Tudo indica, entretanto, que essa festa seja a celebração do Shabat, quando o oficiante judeu faz a bracha, bênção do pão e do vinho toda sexta-feira a noite, ao despontar do Shabat em todas as sinagogas do mundo, inclusive nas sinagogas messiânicas. Mas a igreja católica mudou o dia da celebração dessa festa por não mais seguir as tradições judaicas, pois o Shabat foi trocado pelo domingo. Por isso a chamada Santa Ceia pelos católicos e protestantes passou a ser celebrada no domingo e não mais no Shabat, sábado.

E na ocasião da celebração do Shabat os discípulos de Yeshua faziam uma alusão ao último Pêssach celebrado por Yeshua, quando ele disse para que eles se lembrassem dele todas as vezes que se reunissem. E foi numa dessas reuniões que ha shaliach Shaul, o emissário Paulo relembrou o ato em que Yeshua disse que o pão (matzá de Pêssach) simboliza o seu corpo e o vinho o seu sangue, muito embora o Shabat seja celebrado com duas chalot (pães) e não com matzot (pães sem fermento). (1 Corintios 11:22,23.

Daí a kehilá ou igreja dos gentios até hoje pratica esse ato, dando-lhe o nome de Santa Ceia, o qual na realidade vem a ser uma forma modificada da celebração do Shabat pelos discípulos de Yeshua no primeiro século.

E a celebração do Pêssach, desde que este foi instituído pelo Eterno profetizou a redenção maior em Yeshua, redenção essa selada não com o sangue de animais, mas com o sangue do próprio filho de HaShem.

Todavia os significados originais do Pêssach bem como os do Shabat não foram esquecidos pelos judeus messiânicos. Mas agora tanto o Pêssach como o Shabat são celebrados pelas sinagogas messiânicas também com um novo sentido - em memória ao sacrifício maior de Yeshua.

NOTA:

As chalot, pães com fermento usados no Shabat marcam a diferença do Shabat para o Pêssach, no que diz respeito aos pães. Pois na celebração do Pêssach as matzot, pães sem fermento, fazem contraste com as chalot, pães fermentados do Shabat. E eis aqui um grande mistério, porque o fermento simboliza o pecado.

Portanto o Shabat se harmoniza mais com a festa de Shavuot, dia em que a kehilá de Yeshua recebeu a promessa do Ruach HaShem profetizada pelo profeta Yoel e que se cumpriu em Atos 2:1-13. Pois na instituição dessa festa HaShem ordenou que fossem feitas duas chalot, para serem oferecidas a Ele como oferta de primícia aceitável.

Pentecoste – (Shavuot) Lv. 23:15-17; At. 2:1; Jl 2:28-32.

• No livro de Levitico 23:17 diz o seguinte:
“Dois Pães” e “Levedados se cozerão”

Vejam que interessante:

Em Pêssach o Eterno proíbe se comer chalot e em Shavuot Ele ordena que se coma desses pães com fermento.

Levedados, quer dizer pães (chalot de Shabat) ou qualquer coisa com fermento (chametz), que significa "com o pecado", em contraste com pães asmos (matzot de Pessach), pães sem fermento, "sem o pecado".

• Enquanto os asmos (matzot) de Pêssach falam do corpo do Mashiach que não tem pecado; levedados (chalot) falam da kehilá remida composta de judeus e gentios (dois pães) que nela ainda habita o germe do pecado, porém sem o domínio que tinha sobre nosso corpo.

“O pecado não terá domínio sobre vós”. Rm. 6:12-14.

E nesse grande contraste das matzot de Pêssach e das chalot do Shabat esses pães apontam para duas direções distintas:

1) As matzot de Pêssach apontam para o corpo do Mashiach.

2) E as chalot de Shabat apontam para o corpo da kehilá de Yeshua, muito embora se faça também nessa celebração uma alusão ao último Pêssach celebrado por Yeshua, quando ele estabeleceu a Brit ha Chadashá, a Nova Aliança, através do sacrifício do seu corpo e selada com seu próprio sangue.

Lehitraot.

פולוס וואלי ✡

Nota sobre minha assinatura:

"Origem judaica dos sobrenomes Valle, Vale.

פולוס - Polos / Paul / Paulo

וואלי - Valley / Valle / Vale

Porque o meu sobrenome Vale deveria ser com duas letras "L", mas por um erro do Cartório só tem uma.

Portanto, abaixo faço referência a um Rabino de renome com esse sobrenome Valle (וואלי):




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